Eram nove da noite. Uma noite ainda ensolarada de verão europeu. Cheguei à estação do metrô, comprei o meu bilhete, validei e sentei no banco, à espera do próximo trem. Eu tinha visitado uma amiga em um bairro mais afastado de Berlim, um desses lugares bucólicos onde se dorme ao som de grilos e se acorda ao som de passarinhos.

Atrás de mim, dois rapazes conversavam em idioma familiar, denunciando que eram conterrâneos. Fiquei ali, antenas ligadas, a conversa paralela toda captada com fidelidade, embora eu não desse o menor sinal de que estava entendendo o que diziam. E percebi que falavam de mim, com direito a simpáticos comentários sobre o meu chapéu.

Vontade de rir. Porém eu me mantenho quase como uma alemã que não sou, mas que os dois pensavam que eu era. Até que um deles, na certeza de que eu não responderia nada por, teoricamente, não entender patavinas do que diziam, pergunta:

- Moça… Você é brasileira?

- SOU!, respondi.

Pronto. Não resisti! Resposta dada, seguida de muitas as gargalhadas! Trocamos algumas palavras, os dois estavam de mochileiros em um albergue no meio do nada. Dei umas dicas de passeios, depois entrei no meu trem, a caminho de casa.

É comum por aqui encontrar brasileiros que pensam que ninguém está entendendo o que eles falam. Eu então, que tenho um biotipo, digamos, fora dos estereótipos tidos como tipicamente brasileiros, passo por alemã sem dificuldade. E me divirto quando “pesco” conversinhas de quem fica falando de mim ou de alguém próximo a mim como se estivessem imunes ao entendimento alheio e, consequentemente, a qualquer reação.

Quer ler mais uma? Estava eu uma vez em uma loja de departamentos vendo preços de blusas, ou sei lá. Não lembro mais. E lá estava uma mocinha com um amigo vendo roupas penduradas nas araras, pasma com preços baratíssimos. A mocinha falava freneticamente, sem parar, sem respirar, numa velocidade que deixava minha tagarelice carioca lá nas Havaianas! E falava alto! Eu, inevitavelmente, acompanhava a cena e, por mais que tivesse tentado, não consegui disfaraçar um olhar ou outro em direção à menina. Até que um desses olhares foi percebido.

- O que é que essa garota tá me olhando?, diz ela ao amigo.

- Sei lá, responde ele. – Esse pessoal daqui é esquisito assim mesmo.

- Eu hein, garota estranha. Nunca me viu? Vai ver gosta de mulher!

E assim desenvolveu ainda mais um pouco o assunto. E eu, que já não tinha mais nada para ver ali, fingi que tinha só para ver até onde ela iria com a conversinha dela. Em algum momento, depois dela se mostrar DE-SES-PE-RA-DA porque não encontrava a blusinha azul do tamanho dela, resolvi olhar para ela e dar uma sugestão, quase sorrindo:

- Leva a verde. Também é bonita.

Virei as costas e saí. Não sei nem qual foi a reação dela depois, visto que o momento foi de silêncio e eu não olhei para trás para conferir se ela tinha ficado bege, e em quantos tons de bege.

Por isso dê atenção ao meu conselho: se estiver passeando em terras estrangeiras, cuidado com o que diz!

11 Responses to “Cuidado com o que diz!”

  1. Graça Says:

    muito legal e interessanta faz parte desse mundo qeu vc hoje vive,se passando por alemã,polonesa etc…mens brasileria. rsrsrsrs

  2. Amanda Says:

    Hahahahaha. Muito engracado neh, aki tbm acontece isso mas ainda bem que ate hj nao ouvi falarem de mim ahsuhasuhashuahsa
    Bjuss

  3. juliana Says:

    Amei!!!!!!!!!!!
    uhauahuahuahauha

  4. Anônimo Says:

    AMEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    hahahahahaha

  5. Mel Says:

    É muito engraçado mesmo!! Em Amsterdam dentro de uma loja uma mãe me confundiu com sua filha (eu tava logo do lado e ela nao prestou anteção) e me pediu opinião sobre que presente levar pro marido – o copo ou as canetas, em portugues. A filha virou, mal ela terminou de falar, e deu um esporro na mãe por me importunar. Foi quando eu disse:”tudo bem, não tem problema, isso acontece!!! E leva as canetas, que são mais úteis!” Foi uma gargalhada sonora, das tres, bem carioca!! E saimos da loja conversando, reclamando que lá tinha muito brasileiro!!

  6. Sammia Says:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, tchupix (som do chicote do zorro) hauahuahauha, dez!

  7. Rafael Says:

    Where are the English version? Click on SAP! rsrsrsrs

  8. Coop Ninjask Says:

    kkkkk imaginei a cena e morri de rir com as situações XD
    Nunca cheguei a sair do Brasil, mas deve ser muito show viajar pelos países a fora, ainda mais viver esse tipo de situação. XD

    —————
    Visite: http://euviemalgumlugar.wordpress.com


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