Lá estávamos nós, nos auto-fotografando como descrito no post anterior, quando percebemos que, vez por outra, um turista passante sorria e, disfarçadamente, nos fotografava também.

Dois desses turistas nos flagraram na parte final do nosso ensaio, já na parte da pracinha que fica às margens do Rio Spree. Era um casal, e percebi que a mulher nos fotografava tentando fazê-lo de forma que nós não percebêssemos.

Bem, nós não só percebemos, como também sinalizamos que estava tudo bem, não criaríamos caso com a nossa imagem na câmera de gente estranha. Em algum momento, até pose e sorrisos eu fazia!

Ao final do nosso ensaio, fomos falar com eles e nos apresentamos. Os dois são dinamarqueses e estavam de férias em Berlim. Trocamos algumas palavras e pedi que ela nos enviasse as fotos. Ela tomou nota do meu email e o marido, que até então apenas observava tudo (pelo menos até onde percebi), perguntou se não queríamos mais fotos nossas, juntos. Dissemos que sim e ele tirou uma super câmera da bolsa e começou a nos fotografar. E ela ainda continuou a tirar mais fotos também.

Dias depois, recebi um email dela, agradecendo o “ensaio inspirador”, dando os parabéns pelo casamento e um link para que pudéssemos baixar as fotos deste lindo ensaio que ganhamos deles.

Eu não tenho palavras para descrever a minha reação quando vi as 68 fotos que eles nos mandaram! Vou deixar, portanto, que algumas imagens falem por si.

Meu bouquet quase igual ao original. O original usado no dia do minicasamento tinha mais tons de laranja e amarelho.

Fotos: Hanne e Carsten Saugman. Nossos eternos agradecimentos a eles.

For Carsten and Hanne: Thank you so much for the wonderful photos!

Auto-ensaio

24/11/2009

Ensaio fotográfico foi coisa que não tivemos tempo de fazer no dia do minicasamento. Sendo assim, deixamos para depois.

Porém, nossas fotos foram feitas gentilmente por dois amigos, que não estariam disponíveis em plena sexta-feira laboral. Mas como já tínhamos a experiência de fazer auto-fotos com tripé, adquirida e aprimorada na nossa viagem de lua-de-mel antecipada, lá fomos nós com câmera e tripé a tira-colo para fazer nosso auto-ensaio fotográfico.

E foi assim que nos arrumamos com muita calma, providenciamos um novo bouquet e seguimos para o cenário do nosso primeiro beijo: a mesma pracinha que inspira o nome deste blog.

O dia estava perfeito para fotografar! Fazia um sol ameno, a temperatura também amena, com uma iluminação outonal natural linda! E nos divertimos muito! Eu tirava fotos do Rafa, Rafa tirava fotos minhas e quando queríamos estar os dois na foto, montávamos a câmera no tripé e, enquanto um marcava ali a posição da foto, o outro fazia o enquadramento, as configurações necessárias e marcava o timer em dez segundos para sair correndo para a pose.

O resultado? Este é o ensaio fotográfico onde os próprios noivos foram os fotógrafos!

E foi um dia mágico!

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Foto: Auto-ensaio. Arquivo pessoal.

Há um que é só, e não tem ninguém, nem tampouco filho nem irmão; e contudo não cessa do seu trabalho, e também seus olhos não se satisfazem com riqueza; nem diz: Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem? Também isto é vaidade e enfadonha ocupação.

Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.

Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.

Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?

E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.

Esse foi o texto. É muito citado em casamentos, embora não tenha necessariamente a ver com casamento. Tem a ver com relacionamentos, de uma maneira geral. Tem a ver com valores. Tem a ver com princípios. Tem a ver com a nossa condição de “ser social”. E foi sobre isso que a pastora falou no dia do minicasamento.

De que adianta ajuntar tesouros e viver só? A alegria está em compartilhar. Com seu amado, mas também com os outros à sua volta. Seus amigos, suas famílias, seus colegas de trabalho. Seu cordão é forte quado você não está só. Isso não significa apenas estar casado, mas também compartilhar nossa vida com as pessoas que nos cercam. É dividir.

A “terceira dobra” do cordão, citada pelo Pregador, é geralmente interpretada como sendo Deus. O que não está errado. Mas a pastora a interpretou como sendo as outras pessoas. Estas que nos cercam, com quem devemos compartilhar nossa vida, nossas conquistas. Essas que comemoram as nossas alegrias conosco, e que estão do nosso lado também nos momentos de crise. Como ela mesma disse, o cordão de três dobras é forte. O de quatro mais ainda. E o de cem é um cabo super resistente.

Dito isso, tínhamos combinado que não trocaríamos alianças, visto que já faremos isso no casamento no Brasil. Ela então propôs uma “cerimônia surpresa” nos apresentou uma árvore. A nossa árvore. Que simboliza a nossa vida, e deve ser cuidada e regada. O nosso amor. Cada um de nós amarrou um laço nela, simbolizando o ato de unirmos as nossas vidas. E depois os convidados escreveram bilhetes e penduraram nela, simbolizando as pessoas que estão à nossa volta, a “terceira dobra” do nosso cordão, ou “terceiro cordão” da nossa corda.

Nossa árvore está na sala da nossa casa. É linda e robusta como o nosso amor. Com laços e bilhetes carinhosos, simbolizando nossa união um com o outro, e a presença das pessoas que nos cercam. É presença marcante e viva do que vivenciamos naquela noite.

(Texto: Eclesiastes 4: 9-12)


- Um ticket, por favor.

Minha voz quase não saiu ao falar com o motorista do ônibus. Estava meio engolida pelo bolo na garganta, aquele choro impedido, aquela sensação de que um pedaço de mim estava indo embora naquele vôo.

De certa forma estava mesmo. Tinha acabado de me despedir do Rafa, entre beijos, lágrimas contidas, sorrisos, brincadeiras, ou momentos de silêncio naquele abraço apertado, com a cabeça no peito dele. Tivemos ainda a nostalgia dos momentos felizes que passamos nos últimos trinta dias. Entre eles o dia mais feliz das nossas vidas, até agora. Um beijo, e ele passa pelo portão de embarque. Eu fico na porta, espero o último olhar, e o último “eu te amo” antes dele sumir atrás do controle de segurança.

Sentei-me na janela do ônibus, não queria que ninguém me notasse. Revivia nossos momentos para poder sorrir, entre eles os votos que ele fez no dia do minicasamento. Aqueles espontâneos, que ainda ecoam dentro de mim. Tirei o papel da carteira, lia e relia até chegar em casa:

Sim, eu estou pronto
Pronto para nascer contigo, na Primavera da nossa vida
Com amor e alegria crescendo forte em nossa via
Fazendo planos em tons diversos, de todas as cores
Vendo nossa paixão gerar mais vida, repleta de flores

Sim, eu estou pronto
Pronto para viver contigo, no Verão da nossa vida
Com vigor e intensidade, numa explosão de energia
Iluminando nossas memórias, em cada gesto sendo melhor
Aquecendo, como o sol, nosso caminho, e tudo ao redor

Sim, eu estou pronto
Pronto para envelhecer contigo, no Outono da nossa vida
Com segurança e resignação, com os passos firmes de quem não desvia
Perdendo, como as árvores suas folhas, nossos filhos para o mundo
Percebendo que nesse ato não há perda, e sim um orgulho profundo

Sim, eu estou pronto
Pronto para morrer contigo, no Inverno da nossa vida
Sem medo ou arrependimento, de cabeça erguida, e Deus como guia
Admirando a neve acumulada pelo tempo, as tempestades vencidas
Passando adiante um exemplo de amor e fé, pelas montanhas movidas

Sim, eu estou pronto
Pronto para desbravar contigo nosso ciclo de vida
Contruir e preservar contigo nossa história, dia apos dia
E prometer a ti, em meio a versos e canções
Honrar, para sempre, as nossas quatro estações.

E eu ainda cheguei em casa e encontrei um cartão dele no armário, e o chaveiro. Aquele, que dei a ele quando éramos crianças.

É, agora faltam cerca de seis meses para o nosso reencontro e casamento no Brasil. E em meio a essa dor da saudade que agora sinto, posso afirmar com toda certeza: eu me sinto muito feliz!

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Foto: Auto-ensaio. Arquivo pessoal.

Votos meus

21/11/2009

Nossos votos tiveram um caráter de “pré-votos”. Eu explico: nosso casamento oficial, por assim dizer, será no Brasil. O minicasamento aqui foi uma espécie de pré-casamento. Não queríamos nada que já vamos fazer no Brasil, nada para fazer duas vezes. Por isso não trocamos aliancas e tivemos uma “cerimônia surpresa” para simbolizar este momento.

Os votos que fizemos mencionam isso. Um quê de poesia, embora o Rafa seja mais mestre nisso do que eu. E eu resolvi publicar os meus aqui…

Rafa, meu amor.

Eu estou pronta
para estar ao seu lado, para ser sua companheira,
para velar teu sono, para beijar-te e abraçar-te.

Eu estou pronta para rir contigo quando o sol brilhar
e em tempestades, ser-te abrigo.
Para incentivar-te em teus sonhos
e deles tomar parte.

Estou pronta para ser sua amiga
a amiga que já sou desde a infância,
com toda a sinceridade e lealdade.

Eu estou pronta para amadurecer ao seu lado,
para orar contigo e por ti

para construirmos nossa família,
para amar-te todos os dias .

Estou pronta para ser sua mulher.
Sempre.

Estou pronta para dizer SIM.
Hoje, daqui a sete meses e todos os dias das nossas vidas.

Com a ajuda de Deus.

Eu te amo.

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Foto: Auto-ensaio. Arquivo pessoal.

… entre uma atividade e outra no trabalho, para saciar um pouco a curiosidade de vocês.

O melhor Manifesto

18/11/2009

Eu li em algum lugar e não me lembro mais onde, mas era mais ou menos assim: você pode fazer uma festa sem dinheiro, mas você não pode fazer uma festa sem amigos.

Há coisas muito maiores do que a decoracão da moda, o tamanho do casamento, o budget ou o vestido de grife.

O minicasamento de sábado não teria acontecido como aconteceu se não fosse pelo amor dos amigos. Foram amigos preparando repertório musical, outras trazendo bolos, a mãe fazendo bombons no dia que chegou de viagem. Amigos levando as coisas pra lá e pra cá de carro conosco, minha amiga me ajudando a arrumar mesas. O chefe liberando a impressora do trabalho, os dois amigos fotografando. A cerimônia surpresa, a traducão da minha melhor amiga para Português. A iniciativa espontânea de quem estava lá e sentiu falta das velas que tínhamos esquecido em casa e tratou de providenciá-las por nós, assim como o café também para acompanhar o bolo. O mutirão para ajudar a arrumar tudo no final da festa… Foi tanta gente que ajudou, cada um com uma coisinha, toda essa mobilizacão, tudo de forma tão espontânea, que não há nada que torne essa festa mais inesquecível do que isso: não celebramos apenas o nosso amor. Celebramos o amor de todos, uns pelos outros.

A cerimônia merece um post à parte, mas adianto aqui que a pastora não falou só da nossa relacão de casados. Falou da nossa relacão uns com os outros. Com nossas famílias, com nossos amigos, com nossos colegas do trabalho. Falou que compartilharmos o que somos, o que temos, o que nos faz felizes com os outros, porque é compartilhando que somos felizes. Ali estávamos todos compartilhando nossas alegrias, por dar ou por receber. E poucas vezes eu vi uma cerimônia onde teoria e prática se apresentassem assim, de forma simultânea, tão bonita.

Foi por falar e viver amizades que eu me emocionei. Pela minha amizade de crianca com o Rafa, que manteve toda a pureza daqueles tempos, e que hoje nos traz uma base tão sólida para o nosso casamento. Pela minha amizade com minha família, com a família dele, e com meus amigos. Os daqui, os daí, os de blogs que eu nunca encontrei pessoalmente, mas que aparecem por aqui e com quem eu tenho um contato tão carinhoso.

Foi por isso que, quando Pamela e Gunnar cantaram You’ve got a friend, do James Taylor, eu chorei…

Meu manifesto é por festas com significado. Pela celebracão do amor. Pelo não ao consumismo exagerado, à ostentacão, aos convidados por política ou interesse e às “regras de etiqueta” sem sentido.

Meu manifesto é contra a perda da cabeca porque o bolo estava um pouquinho doce demais, ou o bem-casado um pouquinho seco, ou porque os noivinhos não chegaram a tempo, ou porque você vai ter que usar renda nacional no vestido. Isso é muito menos importante do que parece. Se é que é mesmo importante.

E meu desejo é que todos os noivos tenham esta data lembrada como o dia em que o amor foi festejado com convidados queridos que estavam na mesma sintonia que eles, independente de quem tenha assinado a decoracão da festa.

ps. Eu também estou ansiosíssima para ver as fotos oficiais, que ainda não recebi!

“… the world will always welcome lovers as time goes by…”

Parte do repertório surpresa do nosso minicasamento alemão, preparado pela minha amiga Pamela. Assim mesmo, só instrumental.

É, eu estou parcialmente de volta! E o minicasamento foi lindo! Aos poucos eu conto como foi.

Neste momento

14/11/2009

Eu estou escrevendo de véspera. Muita véspera. Eu estou ansiosa e não paro de pensar nos dias próximos que estão por vir. Penso na chegada, no reencontro, na viagem, na vinda das nossas mães para o minicasamento, coisa que por sinal veio hoje para nossa alegria…

Enquanto você lê este texto, programado para ser publicado hoje, mas escrito no dia 7 de outubro, muito do que eu escrevi acima já terá acontecido. E eu estarei “pré-casando”, por assim dizer. Estarei certamente extremamente ansiosa, com muitas borboletas na barriga. Provavelmente mais até do que na véspera da chegada do Rafa. E sem cabeça nem tempo para escrever no blog.

Mas quis deixar assim mesmo uma mensagem para vocês que passam por aqui. Ainda não é, digamos, meu “casamento oficial”, mas já aprendi um bocado até hoje, 7 de outubro, e terei aprendido mais ainda até o hoje de verdade, e certamente ainda vou aprender mais ainda até o dia 5 de junho.

Aprendi que a festa não é só minha e do Rafa. A festa é das famílias, dos amigos. A festa é de todos que fazem parte da nossa vida, direta e indiretamente. Parece óbvio, mas às vezes os preparativos do dito “meu” casamento sobem à cabeça. E, no fundo, quando vejo a mobilização de amigos e familiares, de perto e de longe, gente que conheço desde criança e gente que nem nunca vi além do layout de um site na internet, todos para fazer este dia ser especial, cada um da sua maneira, vejo que a maior preciosidade de hoje é a presença e o envolvimento das pessoas que amamos e que nos amam também.

Aprendi que meus dias de “noiva” às vezes me deixam chata. Sou melhor noiva quando sou também amiga, irmã, filha, namorada, sobrinha, neta, profissional, escaladora, cantora de chuveiro… e não apenas noiva. Até porque, ser noiva é um estado passageiro. Eu não sou. Eu estou noiva. Porque todas essas relações com pessoas amadas que fazem parte da minha história foram construídas enquanto eu era esse conjunto de tantas outras coisinhas que fazem cada uma de nós ser o nosso “eu” muito antes da palavra “noiva” entrar no nosso vocabulário.

E nessa minha blogterapia, aprendi que distância é definitivamente um conceito relativo. Pelo menos nesses tempos de internet. Gente que vive ou viveu perto não toma conhecimento, gente que vive longe está mais perto do que nunca, e gente que eu nem nunca vi na vida está do outro lado da tela do computador, marcando uma presença tão forte que parece estar aqui. Bem, talvez esteja mesmo. Como disse, distância é um conceito relativo. E presença também.

Isso é o que eu tenho aprendido neste minha fase noiva. Estar noiva tem sido celebrar o amor. Não só o meu e do Rafa, mas o amor das nossas famílias e amigos. É celebrar o amor em todas as suas formas e dimensões. É celebrar o amor de Deus, que tão bem tem cuidado de mim, e me premiou de forma tão bonita. E agradeço muito a Deus por tudo que tenho vivido nesta fase!

Eu volto em breve com textos em tempo real, fotos, relatos e coisinhas. Mas agora estou muito ocupada… Estou casando! Ou minicasando.

Breve…

12/11/2009

rodin

Musée Rodin, Paris, outubro de 2009. Arquivo pessoal.